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FAQ
Guia 10 de 12

Infraestruturas, Acessos & Espaço Público

Confirme que o empreendimento pode ligar-se às redes, funcionar e ter acessibilidade assegurada antes do início da construção.

10Infraestruturas, acessos e espaço público

Resposta rápida

Um terreno pode ter potencial urbanístico e, ainda assim, ser inviabilizado porque o coletor público de esgotos não tem capacidade, a ligação elétrica exige uma subestação exterior, o único acesso aparente não está legalmente assegurado ou a autoridade rodoviária não aceita o entroncamento proposto.

As linhas representadas num levantamento não comprovam a existência de capacidade disponível. Uma aprovação urbanística não reserva uma ligação às infraestruturas. Um orçamento de ligação não concede licenciamento. Uma estrada junto à propriedade não confere necessariamente um acesso legal ou tecnicamente aceitável.

O promotor deve converter cada infraestrutura e traçado aparentes numa solução técnica validada, num direito legal, num orçamento definido, num cronograma e numa entidade responsável.

Pontos-chave
  • abastecimento de água
  • águas residuais domésticas
  • águas pluviais e risco de inundação
  • eletricidade e reforço de rede
  • gás e telecomunicações
  • acesso legal ao terreno
  • obras em domínio público
  • comissionamento e receção de obras

Neste guia

01Importante atualização jurídica para 2026

Este guia distingue entre:

- o RJUE e as regras setoriais de infraestruturas, recursos hídricos, estradas, acessibilidades e domínio público em vigor a 21 de agosto de 2026;

- as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei 108/2026, com entrada em vigor prevista para 1 de outubro de 2026, na sequência do adiamento efetuado pelo Decreto-Lei 155-B/2026;

- e os regulamentos municipais, regras de rede, especificações dos operadores e decisões urbanísticas aplicáveis ao projeto específico.

O Decreto-Lei 108/2026 reformula várias disposições do RJUE relevantes para a avaliação de infraestruturas, consultas externas, títulos urbanísticos, início de trabalhos, ocupação do domínio público, ligações às redes públicas, faseamento e receção de obras de urbanização.

Não se presume a aplicação antecipada do futuro regime. Cada projeto deve ser verificado em função da lei em vigor nas datas relevantes de submissão, decisão, início de obras e ligação, em conjunto com quaisquer disposições transitórias, regulamentos de execução, formulários e requisitos das plataformas.

As regras dos operadores de redes e de infraestruturas rodoviárias também podem mudar independentemente do RJUE. Os requisitos técnicos, formulários de pedido, encargos, prazos de ligação e elementos instrutórios aceites devem ser verificados aquando da consulta e novamente antes da celebração do respetivo contrato ou do início das obras.


02A decisão que este guia o ajuda a tomar

No final desta fase, deverá ser capaz de determinar:

- se cada parcela do empreendimento tem acesso legal e prático;

- se o uso e a intensidade propostos podem ser servidos por infraestruturas de abastecimento de água, águas residuais, águas pluviais, eletricidade e telecomunicações;

- se o gás é necessário ou adequado para o modelo operacional proposto;

- quais os operadores de rede e entidades públicas que tutelam os ativos relevantes;

- quais as capacidades que foram confirmadas e quais as que permanecem como meros pressupostos;

- se é necessário reforço, desvio, extensão, bombagem, armazenamento, tratamento ou um novo posto de transformação;

- se são necessários terrenos fora do local, servidões, licenças ou autorizações de terceiros;

- quem irá projetar, aprovar, construir, fiscalizar, financiar, deter e manter cada infraestrutura;

- se podem ser disponibilizadas ligações temporárias de obra antes das ligações definitivas;

- que vias públicas, passeios, ciclovias, entroncamentos, cruzamentos e espaços públicos devem ser criados ou alterados;

- que autorizações de tráfego e de ocupação do domínio público são necessárias;

- se as obras podem ser faseadas sem deixar qualquer fase dependente de infraestruturas incompletas;

- quanto tempo podem demorar os pedidos, a contratação, a construção, os ensaios, a energização e a receção das obras;

- se os custos e riscos de ligação estão incluídos no modelo financeiro;

- e se a localização se mantém viável caso a solução de ligação preferencial não esteja disponível.

O resultado deverá ser um plano de implementação de infraestruturas, acessos e espaço público articulado com as peças desenhadas de urbanismo, os projetos de engenharia, os direitos sobre o solo, o programa de trabalhos, os documentos de aquisição, o plano de custos e as condições de financiamento.


03Diagnóstico interativo de ligações e acessos

A ferramenta do website deve converter uma descrição geral do local num mapa inicial de ações e elementos instrutórios.

Perfil do projeto

Solicitar:

- município e freguesia;

- morada do local e referências cadastrais ou prediais;

- tipo de projeto e usos propostos;

- área bruta de construção;

- número de fogos, camas, quartos, frações ou postos de trabalho;

- horário de funcionamento e perfil sazonal;

- previsão de início e conclusão da construção;

- fases do empreendimento;

- e se o projeto é um loteamento, operação de urbanização, edifício isolado, reabilitação ou alteração de uso.

Infraestruturas existentes

Para cada serviço, pergunte se a evidência consiste em:

- uma observação visual;

- um levantamento topográfico;

- informação de cadastro de infraestruturas;

- desenhos históricos;

- uma declaração municipal;

- um registo de operador;

- uma resposta formal de capacidade;

- um orçamento;

- um acordo assinado;

- ou uma ligação executada e testada.

A ferramenta não deve tratar estes níveis de evidência como equivalentes.

Água

Pergunte:

- se uma conduta pública confronta com a propriedade;

- diâmetro, material e profundidade aproximada da tubagem;

- ponto de ligação proposto;

- consumo médio e de ponta necessários;

- pressão necessária;

- pressupostos de caudal e reserva para combate a incêndios;

- se o terreno dispõe de furo, poço, nascente, reservatório ou rede privada;

- e se existe título de utilização de recursos hídricos ou aprovação do operador.

Águas residuais

Pergunte:

- se um coletor de águas residuais confronta com a propriedade;

- cota, diâmetro e sentido de escoamento do coletor;

- caudal e qualidade de descarga propostos;

- capacidade a jusante;

- se a drenagem gravítica é possível;

- se é proposta bombagem ou tratamento privado;

- e onde ficariam localizados o armazenamento de emergência e o acesso para manutenção.

Águas pluviais

Pergunte:

- permeabilidade existente do solo e condições freáticas;

- bacia hidrográfica a montante e percursos de escoamento superficial;

- cartografia de risco de inundação;

- linhas de água, valas, aquedutos e descargas existentes;

- área impermeabilizada proposta;

- estratégia de infiltração, retenção e reutilização;

- ponto e caudal de descarga propostos;

- e se a descarga ou as obras afetam recursos hídricos ou o domínio público.

Eletricidade e energia

Pergunte:

- potência total solicitada;

- pressupostos de simultaneidade e ponta;

- tensão de ligação;

- necessidades para carregamento de veículos elétricos;

- necessidades para bombas de calor e climatização;

- propostas fotovoltaicas, de armazenamento e de injeção na rede;

- postes, cabos, postos de transformação e servidões existentes;

- necessidades provisórias de obra;

- e se o operador da rede emitiu condições técnicas ou um orçamento.

Gás e outras redes de energia

Pergunte se:

- existe rede de gás;

- a ligação é exigida pelo projeto ou pelo operador;

- foi testada uma solução totalmente elétrica;

- é proposto combustível armazenado;

- e a solução escolhida é coerente com os requisitos de segurança, energia, carbono e exploração.

Telecomunicações

Pergunte:

- se o projeto exige ITED, ITUR ou ambos;

- que redes de comunicações eletrónicas estão disponíveis;

- onde ficarão localizadas a interface do local e as salas técnicas;

- se as condutas atravessam terrenos de terceiros;

- e se o empreendimento pode acomodar mais do que um operador, quando exigido ou comercialmente desejável.

Acessos e espaço público

Pergunte:

- se o terreno confronta diretamente com uma via pública;

- quem é o proprietário e a entidade gestora dessa via;

- se um acesso existente se encontra legalmente autorizado;

- se o uso proposto intensifica esse acesso;

- se é necessário um novo entroncamento, melhoria de visibilidade ou alargamento da via;

- se é possível assegurar acessos pedonais, cicláveis, de emergência, de recolha de resíduos e de serviço;

- se o estacionamento público, zonas de cargas e descargas, tomada e largada de passageiros ou praças de táxis são afetados;

- se as obras ocupam ou escavam o domínio público;

- e se é necessária gestão temporária de tráfego.

Direitos fora do local

Pergunte se algum traçado exige:

- uma servidão privada;

- uma licença de acesso;

- uma faixa de aquisição;

- uma concessão ou licença de ocupação do domínio público;

- uma servidão ou direito de passagem de infraestruturas;

- um acordo com vizinhos;

- ou expropriação ou outro mecanismo de direito público.

Categorias preliminares de resultados

#### A — Verificado e exequível

A capacidade, o traçado, os direitos, as aprovações, os custos e o cronograma estão suficientemente comprovados para a fase atual do projeto.

#### B — Ligação disponível sujeita a obras definidas

O operador identificou uma solução viável, mas o projeto tem de financiar, projetar ou executar as obras de reforço ou ligação identificadas.

#### C — Necessário estudo do operador

A infraestrutura está presente, mas a procura ou a capacidade a jusante não foram confirmadas.

#### D — Necessário direito fora do local

A solução depende de terreno, servidão, autorização rodoviária, ocupação do domínio público ou outro direito de terceiros que ainda não esteja assegurado.

#### E — Constrangimento estratégico

A solução de ligação ou de acesso pode exigir uma reformulação substancial do projeto, reforços significativos, um cronograma alargado ou capital adicional significativo.

#### F — Bloqueio à transação

Não foi estabelecida qualquer solução legal ou tecnicamente credível para um serviço essencial ou via de acesso.

Aviso legal da ferramenta: O diagnóstico fornece apenas orientação organizativa preliminar. Não confirma a capacidade da rede, não cria um direito de ligação, não aprova um acesso rodoviário, não concede títulos de recursos hídricos ou do domínio público, não verifica direitos sobre terrenos nem substitui pareceres de engenharia, jurídicos, de planeamento, ambientais, de operadores de infraestruturas, de autoridades rodoviárias ou municipais.


04A presença de infraestruturas não significa capacidade

O erro mais comum em matéria de infraestruturas consiste em registar que um serviço está “disponível” apenas porque se vê uma tampa, um poste, um armário técnico ou uma conduta perto do local.

Essa observação pode apenas comprovar a proximidade física.

Não comprova:

- a titularidade do ativo;

- se está operacional;

- a sua dimensão, estado de conservação ou profundidade;

- a sua pressão, tensão ou caudal;

- a capacidade a jusante;

- o ponto de ligação autorizado;

- se pode responder à procura prevista;

- se o reforço já está comprometido com outro projeto;

- se o traçado se situa em terreno público;

- ou o custo e o tempo necessários para a ligação.

O promotor deve, por isso, distinguir cinco questões distintas.

O ativo existe?

Confirmar através de levantamento, registos e, onde necessário, investigação.

Quem o controla?

Identificar o município, a empresa municipal, a entidade intermunicipal, a concessionária, o operador da rede de distribuição, a autoridade rodoviária, o operador de telecomunicações ou o proprietário privado.

Existe capacidade disponível?

Apresentar a estimativa de consumo específica do projeto e obter a resposta formal mais vinculativa possível na respetiva fase.

O local pode aceder-lhe de forma legal?

Confirmar a titularidade, o estatuto de domínio público, servidões, autorização de intervenção na via e todas as autorizações de terceiros ao longo do traçado proposto.

Pode ser executado dentro do orçamento e do cronograma?

Identifique projeto, reforço, aprovisionamento, construção, ensaios, receção, taxas, impostos, garantias, escalada de custos e prazos de execução do operador.

Uma conclusão de viabilidade credível responde às cinco questões.


05Criar um registo de evidências de infraestruturas

Cada afirmação sobre um serviço deve ser suportada por evidências datadas.

O registo deve incluir:

- serviço;

- proprietário ou operador da infraestrutura;

- fonte de informação;

- número de desenho ou de referência;

- data;

- consumo previsto;

- capacidade confirmada;

- ponto de ligação;

- traçado;

- obras de reforço;

- aprovações;

- direitos de terceiros;

- validade do orçamento;

- pressuposto de cronograma;

- responsável;

- risco residual;

- e próxima ação.

Estado recomendado das evidências

Utilize um estado controlado em vez de texto livre.

#### Observado

A infraestrutura aparenta existir, mas não foi obtido nenhum registo fiável ou confirmação do operador.

#### Registado

A infraestrutura consta de uma planta oficial ou do operador, mas a localização e a capacidade permanecem por verificar.

#### Levantado

O traçado, a cota ou a infraestrutura visível foram alvo de levantamento ou investigação, mas a capacidade da rede permanece por confirmar.

#### Aceite a título indicativo

O operador forneceu uma resposta preliminar com base nos pressupostos indicados.

#### Condicionado formalmente

O operador emitiu condições de ligação definidas, um estudo ou um orçamento, sujeitos aos respetivos termos e validade.

#### Contratado

O acordo necessário está formalizado e as partes, o âmbito, os custos e o cronograma estão documentados.

#### Construído

Os trabalhos estão fisicamente concluídos, mas podem ainda estar sujeitos a ensaios, certificação ou receção.

#### Operacional

A infraestrutura foi testada, rececionada quando exigível, ligada e colocada em serviço.

O projeto nunca deve reportar “confirmado” sem definir qual destes estados foi atingido.


06Elaborar um quadro coordenado de consumos e necessidades

As entidades gestoras não conseguem fornecer informações relevantes sobre a capacidade se o projeto apenas disponibilizar uma área bruta de construção ou uma descrição genérica de utilização.

A equipa de projeto deve elaborar um quadro coordenado de necessidades que contemple cada fase e o empreendimento concluído.

Necessidades de água

Incluir:

- consumo médio diário;

- ponta diária e ponta horária de consumo;

- rega;

- piscinas, spas e jogos de água;

- cozinhas e lavandarias comerciais;

- água de processo;

- água de reposição;

- necessidades para combate a incêndios;

- e necessidades para a fase de construção.

Carga de águas residuais

Incluir:

- caudais médios e de ponta de águas residuais domésticas;

- efluentes comerciais/industriais, gorduras ou outros requisitos de pré-tratamento;

- pressupostos de infiltração;

- características da descarga sob pressão (bombagem);

- e faseamento da ocupação.

Necessidades de eletricidade

Incluir:

- potência instalada e com fator de simultaneidade;

- potência solicitada;

- ponta de simultaneidade;

- climatização (arrefecimento e aquecimento);

- águas quentes sanitárias;

- elevadores e sistemas comuns;

- consumos comerciais e do operador;

- carregamento de veículos elétricos;

- equipamentos de arranjos exteriores e piscinas;

- sistemas de segurança de pessoas e bens;

- produção fotovoltaica;

- armazenamento em baterias;

- capacidade de injeção na rede;

- e alimentação de estaleiro/construção.

Necessidades de telecomunicações

Incluir:

- frações residenciais e comerciais;

- sistemas do operador;

- segurança e controlo de acessos;

- sistemas de gestão técnica de edifícios;

- requisitos de cobertura móvel;

- salas técnicas de equipamentos;

- e requisitos de redundância.

Necessidades de transporte e mobilidade

Incluir:

- movimentos de veículos diários e em hora de ponta;

- movimentos de residentes, hóspedes, funcionários e visitantes;

- cargas e descargas / entregas;

- recolha de resíduos;

- acessos de emergência;

- autocarros, táxis e TVDE;

- fluxos pedonais e cicláveis;

- e tráfego de obra.

Os pressupostos devem ser compatibilizados com o pedido de licenciamento urbanístico, estudos ambientais, estratégia de sustentabilidade, caderno de encargos do operador, plano de custos e modelo financeiro dos financiadores.


07Abastecimento de água

A estratégia de abastecimento de água deve definir a origem, capacidade, pressão, qualidade, resiliência e responsabilidades.

Rede pública de água

Identificar a entidade gestora competente e solicitar informações específicas para o projeto relativas a:

- localização da rede;

- ponto de ligação autorizado;

- pressão e caudal disponíveis;

- diâmetro e material da tubagem;

- esquema de contagem;

- pressupostos para combate a incêndios;

- encargos e taxas de ligação;

- necessidades de reforço de rede;

- submissão do projeto técnico;

- vistoria/inspeção;

- e entrada em serviço / comissionamento.

A relação contratual de prestação de serviços aplicável pode ser regida pela legislação nacional, pela regulação da ERSAR, pelo regulamento de serviço da entidade e pelas suas normas técnicas.

Não presuma que os serviços municipais de urbanismo possam vincular a entidade gestora de água relativamente à capacidade ou às condições de ligação.

Pressão e armazenamento

Uma rede pode dispor de caudal adequado, mas de pressão insuficiente para a cota do terreno ou para a altura do edifício.

O projeto pode exigir:

- reservatórios de rutura de carga;

- grupos hidropressores;

- zonas de pressão;

- armazenamento na cobertura ou ao nível do solo;

- redundância;

- ou uma cota de ligação revista.

Estes elementos exigem espaço, suporte estrutural, acesso para manutenção, controlo de ruído e vibrações, gestão da qualidade da água e responsabilidade operacional.

Água para combate a incêndios

A capacidade de combate a incêndios deve ser articulada com o projeto de segurança contra incêndios e com as entidades competentes.

A existência de uma conduta pública de água ou de um marco de incêndio não comprova, por si só, o cumprimento dos critérios exigidos de caudal, pressão, distância e disponibilidade.

Quando forem necessários reservatórios, bombas, marcos de incêndio ou sistemas dedicados, o seu volume, localização, alimentação de socorro, inspeção e manutenção devem ser integrados no projeto.

Origens privadas

Um furo, poço, nascente ou captação de água superficial não deve ser considerado como disponível de forma livre apenas por se encontrar fisicamente dentro da propriedade.

Confirme:

- a titularidade e a localização;

- se a captação é legal;

- o título de utilização de recursos hídricos aplicável;

- a finalidade e o volume autorizados;

- a qualidade da água;

- o caudal sustentável;

- a monitorização e a comunicação de dados;

- os perímetros de proteção;

- os custos de energia e de tratamento;

- a resiliência à seca;

- e se a captação pode abastecer água potável, rega, construção ou outro uso definido.

Os pedidos de utilização de recursos hídricos podem ter de ser submetidos através do SILiAmb ou do procedimento de licenciamento ambiental aplicável à atividade.

Eficiência hídrica e reutilização

As medidas de eficiência hídrica podem reduzir a procura sobre a rede pública, mas as suas implicações em termos de planeamento, saúde pública, engenharia e operação devem ser avaliadas.

As opções podem incluir:

- dispositivos de baixo consumo;

- deteção de fugas;

- contagem por uso ou por fração;

- aproveitamento de águas pluviais;

- águas cinzentas tratadas;

- reutilização de águas residuais tratadas;

- espécies vegetais resistentes à seca;

- e rega controlada.

Os sistemas de água não potável exigem uma separação clara, identificação, manutenção e controlo. Um volume presumido de reutilização não deve reduzir a capacidade solicitada à rede pública, a menos que o sistema de reutilização seja realisticamente exequível e aceitável.


08Águas residuais domésticas

A estratégia de águas residuais deve definir como todos os efluentes domésticos chegam a um destino de tratamento autorizado.

Ligação à rede pública de saneamento

Confirme:

- localização, cota, diâmetro e estado de conservação do coletor;

- se a rede é separativa ou unitária;

- ponto de ligação proposto;

- capacidade hidráulica e de tratamento a jusante;

- quantidade e qualidade de descarga autorizadas;

- viabilidade de escoamento por gravidade;

- método de ligação;

- caixas de visita necessárias;

- servidões ou obras em domínio público;

- e aprovação da entidade gestora.

Um coletor contíguo pode ser demasiado superficial, demasiado profundo, de diâmetro insuficiente ou já estar sobrecarregado.

Gravidade versus bombagem

A drenagem gravítica reduz normalmente a dependência operacional, mas as cotas do terreno podem exigir bombagem.

Uma solução de bombagem deve contemplar:

- bombas de serviço e de reserva;

- capacidade do poço de bombagem;

- armazenamento de emergência;

- alarmes e monitorização remota;

- odores e ruído;

- falha de energia;

- resposta de apoio ou de emergência;

- acesso para manutenção;

- traçado da conduta elevatória;

- pressão de descarga;

- e responsabilidade a longo prazo do proprietário ou operador.

O modelo financeiro deve incluir os custos de substituição e de exploração, e não apenas a instalação inicial.

Tratamento autónomo

Quando não existir rede pública de saneamento disponível, o projeto pode considerar um sistema de tratamento autónomo.

Essa opção exige uma análise específica do projeto relativamente a:

- aceitabilidade urbanística;

- licenciamento ambiental e de recursos hídricos;

- padrão de tratamento;

- destino da descarga ou reutilização;

- condições do solo e das águas subterrâneas;

- odores e impacto visual;

- remoção de lamas;

- acesso para manutenção;

- monitorização e reporte;

- titularidade e competência do operador;

- e futuras obrigações de ligação à rede pública.

Não se deve assumir que uma solução séptica temporária seja aceitável para um empreendimento definitivo.

Efluentes comerciais, industriais e de elevada carga

Hotéis, restaurantes, lavandarias, unidades de saúde, indústria e outros usos não domésticos podem exigir:

- separação de gorduras;

- separação de hidrocarbonetos;

- equalização;

- pré-tratamento;

- pontos de amostragem;

- monitorização de descargas;

- ou uma autorização específica.

O caderno de encargos do operador e o perfil de ocupantes/arrendatários devem ser conhecidos com a antecedência necessária para dimensionar e aprovar o sistema.


09Águas pluviais, risco de inundação e meios recetores

A drenagem de águas pluviais não é um mero exercício de dimensionamento de tubagens.

A estratégia deve considerar toda a bacia hidrográfica, as condições climáticas, as águas subterrâneas, os percursos das águas superficiais, a qualidade da água, a erosão, a capacidade a jusante e a segurança pública.

Compreender o terreno existente

Fazer o levantamento e investigar:

- pendentes existentes;

- áreas permeáveis e impermeáveis;

- permeabilidade do solo;

- águas subterrâneas;

- nascentes e infiltrações;

- valas, aquedutos e linhas de água;

- coletores e saídas de descarga existentes;

- caudais a montante que entram no terreno;

- constrangimentos a jusante;

- cartografia de risco de inundação e de risco costeiro;

- e registos históricos de inundações.

Não projete apenas dentro do limite cadastral se a água atravessar esse limite.

Aplicar uma hierarquia de drenagem

Em função do local e das normas aplicáveis, avaliar:

1. redução do consumo e reutilização de águas pluviais;

2. infiltração na origem ou na sua proximidade;

3. encaminhamento à superfície e drenagem sustentável;

4. amortecimento com descarga controlada;

5. ligação a uma rede pública de águas pluviais aceite;

6. e descarga num meio recetor legal, onde autorizada.

A solução preferencial deve ser compatível com os solos, águas subterrâneas, contaminação, estabilidade de taludes, arqueologia, paisagem e manutenção.

Amortecimento e extravasamento

O projeto deve especificar:

- pressupostos da precipitação de cálculo;

- margem para alterações climáticas;

- volume de retenção necessário;

- caudal de descarga admissível;

- método de controlo de caudal;

- folga de segurança (freeboard);

- percursos de escoamento em caso de extravasamento;

- condições de segurança em caso de falha;

- acessos para manutenção;

- e a entidade ou proprietário responsável.

Os depósitos subterrâneos e as tubagens sobredimensionadas podem consumir espaço valioso na cave ou nos espaços exteriores. Os sistemas de superfície podem afetar cotas, acessibilidades e o desenho do espaço público. Estes conflitos devem ser resolvidos antes de a implantação do projeto estar fixada.

Títulos de recursos hídricos

As obras ou utilizações que afetem recursos hídricos podem exigir um título ao abrigo da Lei da Água e do regime de utilização dos recursos hídricos.

Consoante a situação concreta, isto pode incluir:

- captação;

- descarga;

- construção dentro ou na proximidade de uma linha de água;

- entubamento;

- travessias;

- obras em margens;

- ocupação de terrenos do domínio hídrico;

- rebaixamento do nível freático;

- ou outra utilização de recursos hídricos públicos ou privados.

Uma aprovação urbanística municipal não substitui automaticamente esse título.

Esgotamento em fase de obra

A escavação de caves ou infraestruturas enterradas pode exigir bombagem e descarga temporárias.

O plano de trabalhos deve contemplar:

- caudais de afluência previstos;

- assentamentos e imóveis vizinhos;

- tratamento;

- autorização de descarga;

- monitorização;

- contingência;

- e o efeito no projeto definitivo.

O risco associado ao esgotamento deve ser investigado antes de o contrato ser orçamentado.


10Ligação à rede elétrica

A procura de eletricidade está a aumentar à medida que os projetos adotam sistemas elétricos de aquecimento, arrefecimento, mobilidade e operação.

A estratégia de ligação deve ter início antes da submissão do processo urbanístico quando a potência requisitada, o espaço para o posto de transformação ou o reforço da rede exterior puderem influenciar a implantação.

Definir a ligação pretendida

Confirme:

- identificação do cliente e do projeto;

- potência requisitada;

- tensão de alimentação;

- ponto de ligação;

- perfil de consumo;

- faseamento da procura;

- alimentação temporária de obra;

- data de fornecimento definitivo;

- esquema de contagem;

- requisitos de instalações coletivas;

- e propostas de produção ou armazenamento.

Para potências mais elevadas, pode ser necessário um pedido de condições de ligação antes do pedido formal de ligação. Os limiares, formulários e documentos instrutórios do operador em vigor devem ser verificados na data de submissão.

Possíveis obras de ligação

A solução pode exigir:

- extensão de baixa tensão;

- ligação em média tensão;

- um posto de transformação;

- terreno ou compartimento para equipamento de rede;

- novas condutas ou cabos;

- travessias de via pública;

- relocalização de postes ou linhas;

- reforço de infraestruturas a montante;

- equipamentos de proteção e contagem;

- ou obras de rede partilhadas.

A localização e os requisitos de acesso para um posto de transformação podem afetar significativamente a área vendável, o desenho da fachada, o arranjo paisagístico e a estratégia de segurança contra incêndios.

Proposta e orçamento de ligação

Analisar:

- pressupostos;

- ponto de ligação;

- nível de tensão;

- potência;

- limites das instalações;

- obras exclusivas e partilhadas;

- obras a cargo do cliente;

- obras a cargo do operador;

- opções de construção;

- encargos e taxas;

- prazo de validade;

- cronograma;

- requisitos fundiários e de servidões;

- ensaios;

- certificação;

- e as condições para obtenção do código do ponto de entrega e energização.

O processo da E-REDES distingue atualmente entre opções de construção pelo cliente, pelo operador e partilhada. O seu procedimento publicado também identifica diferentes vias para pedidos de ligação definitiva, de obra, de alteração, de desvio e para potências mais elevadas. A tramitação exata, prazos e suspensões devem ser confirmados para o projeto.

Alimentação temporária de obra

Não presuma que a ligação definitiva possa fornecer energia desde o primeiro dia no local da obra.

O plano do empreiteiro deve contemplar:

- pedido de ligação temporária;

- prazos de disponibilização;

- potência/carga;

- gerador de emergência;

- armazenamento de combustível;

- ruído e emissões;

- conversão para alimentação definitiva;

- e remoção dos equipamentos temporários.

Ativos elétricos existentes

Postes, linhas aéreas, cabos subterrâneos, postos de transformação e salas de operadores podem criar:

- distâncias de segurança;

- direitos de acesso;

- restrições de construção;

- custos de desvio de traçado;

- controlos de segurança;

- e dependências no cronograma.

Um ativo não deve ser removido, edificado por cima nem considerado desativado sem a confirmação do operador e um processo de desvio acordado.


11Produção no local, armazenamento e mobilidade elétrica

Um projeto de baixo consumo energético pode, ainda assim, exigir uma capacidade de rede substancial se os perfis de consumo e de produção não coincidirem.

A estratégia deve coordenar:

- área e orientação fotovoltaica;

- integração no edifício e na paisagem;

- localização de inversores e equipamentos;

- cargas estruturais;

- medidas de emergência e de segurança contra incêndios;

- impacto acústico;

- armazenamento em baterias;

- limitação de injeção na rede ou capacidade de exportação;

- autoconsumo coletivo;

- comunidades de energia, quando relevante;

- contagem/medição;

- e operação a longo prazo.

Carregamento de veículos elétricos

O projeto deve modelar:

- carregadores inicialmente instalados;

- infraestruturação passiva para futuros carregadores;

- pico de consumo simultâneo;

- gestão de cargas;

- alimentação comum versus privada;

- faturação;

- acessibilidade;

- interfaces de segurança contra incêndios;

- e expansão futura.

Uma estimativa genérica por lugar de estacionamento pode sobrestimar ou subestimar substancialmente a potência de ligação necessária se a simultaneidade e o controlo inteligente não forem modelados.

Resiliência

Hotéis, unidades de saúde, residências assistidas, utilizações comerciais dependentes de dados e outras operações críticas podem exigir:

- geradores de reserva;

- alimentação ininterrupta de energia;

- alimentação dupla ou alternativa;

- sistemas apoiados por baterias;

- contratos de combustível ou de manutenção;

- e procedimentos de recuperação testados.

Os requisitos de resiliência devem constar do caderno de encargos do operador e do plano de financiamento, e não constituir uma suposição tardia do empreiteiro.


12Gás e combustíveis alternativos

A disponibilidade de gás e a necessidade do projeto devem ser avaliadas separadamente.

Uma conduta de gás nas proximidades do local não confere direito de ligação, capacidade ou justificação comercial.

Confirme:

- se a rede de distribuição de gás serve o imóvel;

- o operador competente;

- as condições de ligação;

- a pressão e capacidade;

- o traçado e contagem;

- os requisitos de ventilação e segurança;

- o consumo dos equipamentos;

- os pressupostos operacionais e de pegada de carbono;

- e se uma alternativa 100% elétrica ou renovável é mais adequada.

Nos casos em que seja proposto GPL, fuelóleo, biomassa ou outro combustível armazenado, considere:

- localização do armazenamento;

- entregas;

- acesso de veículos;

- risco de incêndio e explosão;

- controlos ambientais;

- licenciamento;

- emissões;

- vizinhança;

- e remoção ou conversão no final da utilização.

O projeto não deve instalar um sistema energético legado apenas porque foi utilizado num conceito de projeto anterior.


13Telecomunicações — ITED e ITUR

Os empreendimentos em Portugal devem considerar o enquadramento legal e técnico para as infraestruturas de comunicações eletrónicas em edifícios e, quando aplicável, em loteamentos, urbanizações e conjuntos de edifícios.

ITED

O ITED diz respeito às infraestruturas de telecomunicações em edifícios.

O projeto deve coordenar:

- entrada no edifício;

- espaços de distribuição principal e de equipamentos;

- condutas e traçados internos;

- salas técnicas e armários;

- requisitos de fibra ótica, cobre e coaxial, quando aplicável;

- ligação à terra e alimentação elétrica;

- selagem corta-fogo;

- acessibilidade para manutenção;

- certificação;

- e telas finais.

ITUR

O ITUR diz respeito às infraestruturas de telecomunicações em loteamentos, urbanizações e conjuntos de edifícios.

A estratégia pode incluir:

- classificação da infraestrutura como pública ou privada;

- traçados de condutas;

- caixas de visita;

- interfaces com os edifícios;

- acesso dos operadores;

- titularidade e manutenção;

- e coordenação com a rede viária, arranjos exteriores e outras infraestruturas.

Escolha de operadores e resiliência

O cumprimento legal não garante, por si só, o nível de serviço comercial exigido por um hotel, escritório, residência de estudantes ou outro ativo operacional.

Avalie:

- operadores disponíveis;

- capacidade de fibra ótica;

- diversidade de traçados;

- cobertura móvel;

- sistemas de emergência e segurança;

- requisitos de nível de serviço do operador;

- e as consequências de um ponto único de falha.

O projeto deve cumprir os manuais aplicáveis da ANACOM, as regras de qualificação profissional e os requisitos de certificação em vigor para o projeto.


14Recolha de resíduos e operações de serviço

Os resíduos não constituem uma ligação a redes, mas são uma interface crítica com o espaço público e os acessos.

O planeamento e o projeto operacional devem definir:

- fluxos de resíduos;

- volumes previstos;

- armazenamento interno;

- armazenamento refrigerado ou controlado, quando exigido;

- separação e reciclagem;

- tipologia de contentores ou baldes;

- frequência de recolha;

- dimensões dos veículos e trajetórias de varrimento;

- distâncias de transporte manual;

- declives e lancis;

- ponto de recolha público versus privado;

- lavagem e drenagem;

- odores, ruído e pragas;

- e a responsabilidade pela movimentação dos contentores.

Não se deve assumir que um veículo de recolha acederá a terreno privado sem a confirmação do prestador do serviço e um projeto adequado de acessos, manobra e pavimento.

Os resíduos de construção e demolição estão sujeitos a requisitos próprios de gestão e documentação, devendo ser coordenados com o plano de obra.


16Identificar a autoridade rodoviária

A entidade competente depende da classificação jurídica da via e do respetivo modelo de gestão.

Pode ser:

- o município;

- a Infraestruturas de Portugal;

- uma concessionária;

- outra entidade pública;

- ou um proprietário privado.

O nome comum da via não comprova o seu estatuto jurídico.

Para vias integradas na Rede Rodoviária Nacional ou abrangidas pelo seu regime de proteção, devem ser considerados o Estatuto das Estradas da Rede Rodoviária Nacional e a administração rodoviária competente.

A análise deve abranger:

- licença ou autorização de acesso;

- zona de servidão rodoviária e de proteção;

- condicionamentos de edificação e de publicidade;

- articulação da drenagem;

- muros e movimentos de terras;

- dimensionamento de nós e acessos;

- alargamento da via;

- barreiras de segurança;

- infraestruturas no corredor rodoviário;

- e obras ou ocupação com impacto na via.

A aprovação urbanística municipal não deve ser considerada um substituto de uma decisão autónoma da autoridade rodoviária, sempre que esta seja legalmente exigida.


17Projetar para todos os utilizadores do acesso, não apenas para o automóvel

A estratégia de acessos deve coordenar todos os utilizadores e condições de funcionamento.

Peões

Garanta um percurso contínuo, seguro e acessível desde a rede pública até às entradas e aos espaços exteriores relevantes.

Verifique:

- largura;

- inclinação;

- inclinação transversal;

- degraus e rampas;

- travessias;

- lancis;

- informação tátil e visual;

- iluminação;

- drenagem;

- portões;

- pontos de descanso;

- e conflito com veículos.

As regras de acessibilidade portuguesas aplicam-se a edifícios, estabelecimentos, vias públicas e habitações relevantes, sujeitas ao seu âmbito de aplicação e ao enquadramento específico do projeto.

Bicicletas e micromobilidade

Sempre que exigido ou adequado, coordene:

- ligação a percursos externos;

- entrada segura no local;

- estacionamento de bicicletas;

- carregamento;

- balneários e vestiários;

- e conflito com veículos de serviço e peões.

Veículos de emergência

O projeto de segurança contra incêndios deve estabelecer:

- vias de aproximação necessárias;

- largura, altura, inclinação e raio de viragem;

- capacidade de carga;

- proximidade a fachadas e pontos de acesso;

- áreas de posicionamento de viaturas de socorro;

- portões e desbloqueio de segurança;

- marcos e bocas de incêndio;

- e a manutenção do percurso desobstruído.

O paisagismo, o mobiliário urbano e o controlo de estacionamento devem preservar o percurso de emergência aprovado após a ocupação.

Veículos de recolha de resíduos, entregas e serviços

Modele os tipos reais de veículos.

Confirme:

- trajetórias de varrimento;

- limites de marcha-atrás;

- zona de carga;

- altura livre;

- resistência do pavimento;

- horários de entrega;

- espaço de espera;

- recolha de resíduos;

- acesso de autocarros, quando aplicável;

- e separação relativamente a hóspedes, residentes e peões.

Tráfego de obra

O acesso de obra pode necessitar de uma solução diferente da do acesso definitivo.

Planeie:

- rota de veículos pesados;

- agendamento de entregas;

- lavagem de rodas;

- limpeza de vias;

- portões temporários;

- movimentação de gruas e cargas excecionais;

- acessos vizinhos;

- restrições escolares ou em horas de ponta;

- danos nas vias;

- e reposição do estado original.


18Impacto no tráfego e intervenções em interseções

Um estudo de tráfego deve corresponder ao empreendimento real e não basear-se mecanicamente em taxas genéricas de geração de viagens.

Poderá ter de analisar:

- tráfego de base;

- empreendimentos previstos;

- geração de tráfego do projeto por fase;

- períodos de ponta;

- repartição modal;

- capacidade das interseções;

- procura pedonal e ciclável;

- segurança rodoviária;

- transportes públicos;

- procura de estacionamento;

- cargas, descargas e serviços;

- tráfego de obra;

- e efeitos cumulativos.

As possíveis medidas de mitigação incluem:

- remodelação de interseções;

- vias de mudança de direção;

- sinalização luminosa;

- intervenções em rotundas;

- melhoria da visibilidade;

- alargamento de vias;

- passadeiras de peões;

- passeios;

- infraestruturas cicláveis;

- paragens de transportes públicos;

- acalmia de tráfego;

- controlo de estacionamento;

- ou medidas de planos de mobilidade.

Para cada medida, identifique os terrenos, o projetista, a entidade aprovadora, a responsabilidade de construção, o custo, o cronograma, as garantias e a manutenção futura.

Um conceito de mitigação não é exequível se depender de terrenos que o promotor não possa controlar.


19Estacionamento, cargas e descargas e tomada e largada de passageiros

O dimensionamento do estacionamento deve conciliar as normas urbanísticas com a operação e a qualidade do espaço público.

Confirme:

- lugares regulamentares e propostos;

- lugares acessíveis;

- afetação a visitantes, funcionários e operadores;

- estacionamento de motociclos e velocípedes;

- carregamento de veículos elétricos;

- dimensões e manobrabilidade;

- inclinações de rampas e transições;

- altura livre útil;

- requisitos de ventilação e segurança contra incêndios;

- zonas de cargas e descargas e de resíduos;

- procura de táxis, autocarros e TVDE;

- filas de espera no interior do lote;

- e gestão do estacionamento indevido.

As zonas de tomada e largada de passageiros não devem ser previstas na via pública, exceto se a entidade competente o aceitar e a solução for legal.

O estacionamento ou as cargas e descargas em parcelas destinadas a cedência para o domínio público devem ser coordenados com a estratégia urbanística e de infraestruturas.


20Obras e ocupação do domínio público

A construção ou as infraestruturas definitivas podem exigir a utilização de terrenos municipais ou outros terrenos públicos.

Os exemplos incluem:

- andaimes;

- tapumes;

- gruas e sobrevoo de lanças;

- contentores de entulho;

- instalações temporárias de estaleiro;

- corte de via ou de passeio;

- valas para redes de infraestruturas;

- caixas de visita e armários técnicos;

- rampas e rebaixamentos de lancis;

- corpos salientes permanentes;

- arranjos exteriores;

- saídas de drenagem;

- e equipamento de gestão de tráfego.

Ao abrigo do RJUE em vigor, determinados requisitos de ocupação da via pública podem ser integrados no procedimento urbanístico sempre que se verifiquem as condições legais. Tal não dispensa a obrigação de cumprir o regulamento municipal aplicável, pagar as taxas devidas, articular com outros ocupantes ou obter o acordo de outra autoridade rodoviária ou gestora do domínio público, quando exigível.

O promotor deve definir:

- área exata a ocupar;

- finalidade;

- datas de início e de conclusão;

- percurso de tráfego e de peões;

- acessibilidade;

- barreiras de segurança e iluminação;

- acessos de emergência;

- taxas e cauções;

- seguros;

- fiscalização;

- padrão de reposição;

- e procedimento de prorrogação.

Não programe a escavação tomando apenas como referência o alvará de obras. O processo de abertura de valas na via pública, de tráfego e de coordenação de infraestruturas pode ter prazos próprios e períodos de intervenção condicionados.


21Corredores e coordenação de redes de infraestruturas

O projeto do lote e do espaço público deve prever um corredor coordenado para cada infraestrutura.

A planta de síntese de traçados deve representar:

- água;

- águas residuais domésticas;

- águas pluviais;

- eletricidade;

- gás, quando aplicável;

- telecomunicações;

- iluminação pública;

- rega;

- redes de energia urbanas ou partilhadas, quando aplicável;

- redes existentes;

- redes desativadas;

- caixas de visita;

- válvulas;

- marcos de água / bocas de incêndio;

- armários técnicos;

- postos de transformação;

- árvores e zonas radiculares;

- fundações e muros de suporte;

- sumidouros e sarjetas;

- mobiliário urbano;

- e acessos para manutenção futura.

Resolver conflitos de cotas

A coordenação deve verificar:

- recobrimento mínimo;

- cruzamentos;

- distâncias de afastamento;

- pendentes de escoamento gravítico;

- profundidade de caixas de visita;

- estrutura das caves;

- caldeiras de árvores;

- proteção de redes de infraestruturas;

- espessura do pavimento viário;

- e cotas de ligação no limite do lote.

Um coletor que funciona em planta pode falhar em perfil longitudinal.

Proteger o acesso futuro

Evite localizar infraestruturas sujeitas a manutenção sob:

- edifícios definitivos;

- terraços privados;

- piscinas;

- zonas ajardinadas inacessíveis;

- paredes estruturais;

- ou áreas que não possam ser escavadas sem interditar o empreendimento.

Quando tal for inevitável, obtenha a aceitação da entidade gestora e estabeleça as regras de acesso e o regime de reposição.

Levantamento prévio à escavação

Os registos e cadastros podem estar incompletos ou ser imprecisos.

O plano de construção deve incluir:

- pesquisa e localização de infraestruturas;

- deteção por georradar ou outros métodos, quando apropriado;

- valas de prospeção;

- procedimento de escavação segura;

- autorização de trabalho;

- acompanhamento pelo operador, quando exigido;

- e um plano de resposta para infraestruturas não identificadas.


22Terrenos exteriores, servidões e direitos de passagem

Muitas estratégias de ligação falham porque o traçado tecnicamente preferencial atravessa terrenos fora da propriedade do promotor.

Mapear todo o traçado

Para cada ligação ou acesso, identifique:

- infraestrutura de partida;

- limite da parcela;

- terrenos públicos e privados atravessados;

- caixas de visita e estruturas;

- faixa de trabalho temporária;

- faixa de proteção permanente;

- acessos para manutenção;

- e o ponto final de ligação.

Escolher o instrumento jurídico adequado

Consoante as circunstâncias, o projeto pode exigir:

- a aquisição de uma faixa de terreno;

- uma servidão registada;

- uma licença contratual;

- um direito de passagem a favor do operador;

- um título de ocupação do domínio público;

- uma licença de intervenção rodoviária;

- uma concessão;

- ou outro mecanismo de direito público ou imobiliário.

O documento deve abranger tanto a fase de construção como a exploração permanente.

Cláusulas essenciais

Defina:

- planta e coordenadas precisas;

- infraestruturas permitidas;

- método de construção;

- acesso para levantamentos, obras, inspeção e reparação;

- horários de trabalho;

- reposição das condições iniciais;

- compensação ou indemnização;

- seguros e responsabilidade civil;

- relocalização;

- cedência ao operador ou ao município;

- duração;

- registo;

- consentimento do credor hipotecário;

- eficácia vinculativa para sucessores;

- e resolução de litígios.

Uma licença revogável pode ser insuficiente para um serviço essencial permanente e pode ser inaceitável para um financiador ou operador.

Não assumir a expropriação como cenário de base

Os mecanismos de expropriação ou de constituição coerciva de direitos dependem de poderes legais, utilidade pública, atuação competente, procedimento, prazos e indemnizações. Um promotor privado não deve assumir que uma autoridade ou operador utilizará esses poderes para viabilizar um traçado que não esteja previamente assegurado.


23As condições do operador e a aprovação urbanística são distintas

O projeto pode exigir várias aprovações paralelas.

Enquadramento urbanístico municipal

Confirma o tratamento urbanístico das obras propostas no âmbito do procedimento aplicável.

Título setorial ou ambiental

Pode autorizar a utilização de recursos hídricos, intervenção na via pública, ocupação do domínio público, infraestruturas energéticas, segurança ou outra atividade regulada.

Aprovação técnica das entidades gestoras de redes

Confirma a conformidade com os requisitos de projeto e de ligação do operador.

Contrato ou orçamento de ligação

Define o âmbito, encargos, validade, calendarização e condições para a ligação.

Direitos sobre o terreno

Permite a realização dos trabalhos e o acesso futuro através do terreno em causa.

Aprovação da construção

Pode incluir metodologias de execução, licenças de escavação, gestão de tráfego, empreiteiros autorizados, inspeções e pontos de paragem técnica de controlo (hold points).

Entrada em serviço e contrato de fornecimento

Permite a realização de ensaios, receção, medição/contagem, energização ou fornecimento.

Não se deve presumir que um destes documentos substitui os restantes, a menos que a legislação aplicável e o respetivo teor estabeleçam claramente esse efeito.


24Contratos de infraestruturas e de ligação

Sempre que várias partes intervenham na solução de infraestruturas, formalize o acordo antes do início dos trabalhos.

Um acordo pode necessitar de contemplar:

- partes e legitimidade;

- projetos e especificações aprovados;

- obras a cargo do promotor;

- obras a cargo do município ou do operador;

- obras a cargo de terceiros;

- terrenos e acessos;

- calendarização e marcos contratuais;

- interdependências;

- encargos e pagamentos;

- revisão de preços;

- contratação;

- aprovação de empreiteiros;

- inspeções e pontos de controlo;

- alterações;

- ensaios;

- defeitos e garantias;

- cauções e garantias financeiras;

- titularidade;

- operação e manutenção;

- seguros;

- responsabilidade;

- direitos de assunção de posição (step-in);

- resolução contratual;

- e resolução de litígios.

O RJUE permite a celebração de um contrato de urbanização quando as obras de urbanização envolvam mais do que uma entidade responsável. Consoante o projeto, podem intervir o município, proprietários dos terrenos, prestadores de serviços públicos e outros interessados.

O acordo deve estar coordenado com o título urbanístico, os documentos de financiamento, o contrato de empreitada e os direitos sobre os terrenos.


25Faseamento e infraestruturas temporárias

Uma fase deve ter capacidade para funcionar em segurança e na legalidade logo que seja ocupada.

Para cada fase, confirme:

- acessos legais;

- acessos para veículos de socorro e combate a incêndios;

- água potável;

- abastecimento de água para combate a incêndios;

- drenagem de águas residuais domésticas;

- gestão de águas pluviais;

- eletricidade;

- telecomunicações;

- recolha de resíduos;

- iluminação pública;

- percursos acessíveis;

- estacionamento e áreas de serviço/cargas;

- arranjos exteriores ou tratamento provisório de limites;

- e responsabilidade pela manutenção.

Evitar fases bloqueadas

Uma fase pode encontrar-se fisicamente concluída, mas inutilizável porque:

- o acesso principal se localiza numa fase posterior;

- o posto de transformação/subestação não está energizado;

- a estação elevatória está incompleta;

- o coletor de esgotos a jusante não entrou em funcionamento;

- o reservatório de combate a incêndios apenas serve o masterplan concluído;

- ou uma servidão temporária expira prematuramente.

O plano de faseamento tem de identificar estas interdependências.

Sistemas temporários

Vias temporárias, drenagem, eletricidade, água, medidas contra incêndios ou instalações de tratamento exigem a mesma disciplina que as obras permanentes.

Defina:

- aprovação;

- capacidade;

- duração;

- monitorização;

- manutenção;

- custo operacional;

- conversão ou remoção;

- reposição;

- e contingência caso a fase seguinte sofra atrasos.

Uma solução temporária não deve transformar-se numa condição de funcionamento indefinida e não aprovada.


26Interfaces de contratação e construção

Os documentos de construção devem atribuir claramente cada interface de infraestruturas.

Limites de âmbito

Indicar quem é responsável por:

- pedidos;

- levantamentos e poços de sondagem;

- projeto;

- pareceres do operador;

- materiais;

- abertura de valas;

- abertura de vias;

- obras temporárias;

- reforço de rede;

- trabalhos de ligação;

- taxas;

- inspeções;

- ensaios;

- informação de telas finais;

- certificação;

- receção de infraestruturas;

- e defeitos.

Evite expressões como “todas as ligações necessárias” sem desenhos, limites de ativos e responsabilidades do operador.

Empreiteiros aprovados

Alguns trabalhos podem ter de ser executados pelo operador ou por empreiteiros reconhecidos ou autorizados por este.

Confirme isto antes do concurso para que:

- a entidade correta seja contratada;

- o custo seja incluído;

- o cronograma reflita a disponibilidade;

- e as garantias sejam compatíveis.

Desvios

As infraestruturas existentes podem necessitar de proteção ou desvio antes das escavações ou dos trabalhos de estruturas.

O plano de desvio deve identificar:

- ativos e clientes atuais;

- aprovação do operador;

- continuidade temporária do serviço;

- novo traçado;

- janela de corte do serviço;

- aviso às partes afetadas;

- ensaios;

- desativação ou remoção;

- e quem suporta custos imprevistos.

Danos e resposta a emergências

O contrato deve estabelecer a comunicação e a resposta imediatas caso uma infraestrutura seja danificada, contaminada, obstruída ou interrompida.

O promotor deve manter registos dos incidentes, das aprovações de reparação e da aceitação.


27Ensaios, comissionamento e ligação

A conclusão física não é a conclusão operacional.

O plano de comissionamento deve ser preparado antes da instalação dos sistemas relevantes.

Água

Pode exigir:

- ensaios de pressão;

- lavagem;

- desinfeção;

- resultados da qualidade da água;

- instalação de contadores;

- vistoria;

- e aceitação pelo operador.

Águas residuais e pluviais

Pode exigir:

- inspeção visual;

- inspeção por CCTV;

- ensaios de estanquidade ou de pressão;

- limpeza;

- ensaios de bombagem;

- ensaios de alarmes e de controlo;

- inspeção de descargas;

- cadastros de drenagem;

- e aceitação pelo operador ou pelo município.

Eletricidade

Pode exigir:

- conclusão das obras de rede;

- certificação da instalação;

- vistoria;

- ensaios de proteções;

- contagem;

- código do ponto de entrega;

- contrato de fornecimento;

- e agendamento da energização.

Telecomunicações

Pode exigir:

- ensaios de cabos e de fibra;

- certificação ITED ou ITUR;

- etiquetagem;

- telas finais;

- instalação pelo operador;

- e ativação.

Vias e espaço público

Pode exigir:

- ensaios de materiais;

- verificação de cotas e drenagem;

- ensaios de iluminação;

- inspeção de segurança;

- revisão de acessibilidades;

- consolidação de espaços verdes;

- correção de defeitos;

- e vistoria municipal ou da autoridade rodoviária.

O cronograma deve prever chumbos nos ensaios, trabalhos de correção, nova submissão e a comparência do operador.


28Titularidade, receção e manutenção

Cada infraestrutura concluída deve ter um proprietário e um responsável pela manutenção definidos.

Os cenários possíveis incluem:

- manutenção da titularidade privada;

- compropriedade pelo condomínio ou associação de proprietários;

- titularidade do operador;

- titularidade municipal após cedência ou receção;

- regimes de concessão;

- ou uma delimitação mista dentro do mesmo sistema.

Confirmar a delimitação dos ativos

Para cada rede, identifique:

- ativo público ou do operador;

- ramal de ligação privado;

- distribuição comum;

- ativo individual do cliente;

- localização do contador;

- ponto de corte;

- acesso para manutenção;

- e limite de responsabilidade.

A receção não é automática

A construção em conformidade com o projeto aprovado não transfere necessariamente a titularidade.

O processo pode exigir:

- vistoria;

- resultados de ensaios;

- telas finais;

- cedência de terrenos;

- servidões;

- garantias;

- peças sobressalentes;

- manuais de operação;

- correção de defeitos;

- receção provisória formal;

- um prazo de garantia;

- e receção definitiva.

As obras de urbanização sujeitas a receção municipal devem ser coordenadas com o regime de garantias e defeitos explicado no Guia 09.

Redes privadas

Se os ativos permanecerem privados, os documentos do projeto devem definir:

- titularidade;

- manutenção;

- acessos;

- fundo de reserva;

- substituição;

- resposta a emergências;

- seguros;

- repartição de consumos e custos;

- e mecanismos de cobrança contra utilizadores em incumprimento.

Estas obrigações devem constar nos documentos de condomínio, arrendamento, operador, venda e gestão.


29Informação de telas finais (as-built) e registo de ativos

O projeto deve especificar os registos necessários na fase de concurso.

O dossier de encerramento pode incluir:

- planta coordenada de telas finais (as-built);

- coordenadas e cotas topográficas levantadas;

- dimensões de tubagens e cabos;

- materiais;

- pontos de ligação;

- válvulas e pontos de seccionamento;

- caixas de visita e tampas;

- certificados de ensaio;

- fotografias antes do reaterro;

- dados e fichas técnicas de equipamentos;

- garantias;

- manuais de operação e manutenção;

- contactos de emergência;

- informação de software e sistemas de controlo;

- certificações;

- aceitação pelo operador;

- autos de receção municipal;

- documentos de cedência de terrenos e servidões;

- e registo de ativos.

O formato exigido, o sistema de coordenadas, o datum altimétrico, a nomenclatura e a norma digital devem ser acordados antes da construção.

Não dependa da reconstituição de informação sobre infraestruturas enterradas após o fecho das valas.


30Aquisição e proteção contratual do terreno

As conclusões relativas a infraestruturas e acessos devem refletir-se na transação imobiliária.

Consoante a repartição de risco, os documentos de aquisição podem contemplar:

- título de acesso;

- capacidade das redes de infraestruturas;

- cooperação do vendedor;

- direitos de consulta aos operadores;

- acesso para levantamentos e abertura de poços de sondagem;

- servidões externas (off-site);

- direitos de descarga e escoamento;

- contratos de fornecimento existentes;

- acordos de infraestruturas;

- transmissão de pedidos e orçamentos;

- aprovação da autoridade rodoviária;

- condições precedentes;

- ajustamento de preço;

- retenções;

- resolução contratual;

- e subsistência de obrigações após a conclusão.

Evitar garantias absolutas do vendedor quando a prova for limitada

Um vendedor pode indicar apenas que as infraestruturas estão "próximas". Essa declaração não equivale a capacidade nem a aprovação de ligação.

O comprador deve obter comprovativos diretos junto dos operadores e utilizar condições que correspondam ao risco real.

Garantir a cooperação após a conclusão

Se os pedidos, direitos ou obras não puderem ser concluídos antes da aquisição, exija obrigações contratuais de cooperação, deveres de assinatura, acesso e entrega de documentos após a conclusão da transação.


31Financiamento e requisitos da entidade financiadora

As infraestruturas e os acessos são fundamentais para a bancabilidade, uma vez que o ativo concluído não pode ser vendido, ocupado ou explorado sem eles.

A due diligence do financiador pode solicitar:

- confirmações de capacidade;

- propostas de ligação;

- títulos de acesso;

- aprovações rodoviárias e de domínio público;

- títulos de utilização de recursos hídricos;

- servidões;

- acordos de infraestruturas;

- plano de custos;

- cronograma;

- garantias;

- âmbito do empreiteiro;

- mecanismos de monitorização;

- via de integração/municipalização de infraestruturas;

- e prova de que os fundos remanescentes são suficientes.

Custo até à conclusão (cost-to-complete)

A previsão deve incluir:

- encargos dos operadores;

- projetos;

- levantamentos e estudos;

- obras fora do local (off-site);

- direitos sobre o solo e indemnizações;

- taxas de domínio público;

- gestão de tráfego;

- reforço de rede;

- serviços provisórios;

- ensaios;

- certificação;

- garantias;

- retificação de defeitos;

- custos de financiamento;

- e contingências.

Condições precedentes e subsequentes

O financiador pode exigir comprovativos específicos de infraestruturas antes de:

- primeira utilização de fundos (drawdown);

- libertação de tranches para a construção;

- conclusão substancial (practical completion);

- libertação de frações;

- entrada em funcionamento;

- ou reembolso final.

O mapa de controlo do projeto deve utilizar as mesmas descrições de elementos comprovativos que os documentos de financiamento.


32Vendas, arrendamento e operação

Os compromissos de infraestruturas assumidos durante o desenvolvimento podem manter-se após a conclusão.

Os documentos de venda, arrendamento e exploração podem ter de divulgar ou imputar:

- arruamentos e redes privados;

- bombas, reservatórios e postos de transformação partilhados;

- servidões de manutenção;

- ligações provisórias;

- futuras obras de reforço;

- custos de serviços de utilidade pública;

- contagem partilhada;

- restrições de consumo;

- interrupções de serviço;

- obras viárias ou de espaço público;

- estado de receção e integração no domínio público;

- e defeitos pendentes.

O marketing não deve prometer serviço de fibra, capacidade para veículos elétricos, acesso privado, estacionamento, rede pública de saneamento ou qualquer outra funcionalidade, a menos que seja sustentada pelos documentos do projeto e pelo plano de execução.

Para ativos em exploração, a capacidade das redes de infraestruturas deve ser reconciliada com o caderno de encargos de serviços técnicos do operador antes de o contrato com o operador se tornar incondicional.


33Controlo de alterações

Os pressupostos relativos a infraestruturas e acessos podem mudar à medida que o projeto evolui.

Deve ser registada uma alteração controlada se o projeto alterar:

- o uso;

- o número de frações;

- a área bruta;

- a ocupação;

- a dotação de cozinhas ou lavandarias;

- as piscinas ou a rega;

- a estratégia de aquecimento e arrefecimento;

- a dotação para veículos elétricos;

- a localização de caves ou centrais técnicas;

- a posição de acessos;

- o traçado viário;

- o faseamento;

- ou a data de conclusão.

A análise da alteração deve identificar o impacto em:

- consumos e procura;

- resposta de capacidade;

- aprovação do operador;

- aprovação urbanística;

- título ambiental;

- direitos sobre o solo;

- orçamento de ligação;

- autorização de intervenção no domínio público;

- âmbito da construção;

- ensaios;

- receção de infraestruturas;

- custo;

- e cronograma.

A resposta anterior de um operador pode deixar de ser válida se os pressupostos de facto do projeto se alterarem.


34Sequência indicativa de execução

Passo 1 — Mapear os ativos e acessos existentes

Combinar informação jurídica e registral, topográfica, de infraestruturas, viária e ambiental.

Passo 2 — Definir as necessidades de consumo do projeto

Preparar mapas coordenados de água, drenagem, eletricidade, comunicações, transportes e acessos de serviço.

Passo 3 — Identificar operadores e entidades competentes

Confirmar a entidade responsável por cada rede, arruamento e área de domínio público.

Passo 4 — Obter respostas preliminares de capacidade e acesso

Submeter uma consulta específica do projeto com peças desenhadas e pressupostos de consumo.

Passo 5 — Comparar estratégias de ligação

Testar alternativas de pontos de ligação, traçados, cotas, faseamento, redes privadas e opções de reforço.

Passo 6 — Assegurar direitos fora do local

Negociar terrenos, servidões, licenças e autorizações de domínio público para a totalidade do traçado.

Passo 7 — Integrar o projeto de planeamento

Reservar espaço para instalações técnicas, corredores, vias, cruzamentos, drenagem, reservatórios, postos de transformação e acessos de manutenção.

Passo 8 — Obter condições técnicas formais

Avançar com estudos dos operadores, orçamentos, aprovações rodoviárias e títulos ambientais.

Passo 9 — Contratualizar e financiar as obras

Documentar âmbito, custo, cronograma, garantias, interfaces, fiscalização e receção.

Passo 10 — Construir e coordenar

Controlar infraestruturas existentes, desvios, valas, obras em domínio público e redes provisórias.

Passo 11 — Testar, certificar e ligar

Concluir todos os testes, inspeções, certificações, contratos, contagem e ativações.

Passo 12 — Transferir e encerrar

Entregar telas finais (as-built), concluir a receção ou integração e estabelecer a responsabilidade pela manutenção.


35Prazos indicativos a prever no cronograma

Os prazos reais dependem do operador, da entidade competente, do projeto, da procura, do estado da rede, dos direitos sobre o solo e da contratação.

Como pressuposto inicial de planeamento, preveja separadamente:

- levantamento cadastral e de infraestruturas: 2–6 semanas;

- consultas prévias aos operadores: 2–12 semanas ou mais;

- estudo de tráfego e acessibilidades: 4–12 semanas;

- prospeções geotécnicas, de drenagem e de infiltração: 3–10 semanas;

- análise formal de projetos pelas concessionárias ou condições de ligação: 4–16 semanas ou mais;

- procedimentos com autoridades rodoviárias ou de domínio público: 4–20 semanas ou mais;

- títulos de utilização de recursos hídricos: específico de cada projeto e potencialmente vários meses;

- negociação de direitos fora do local: 1–6 meses ou mais;

- projeto e contratação de reforços de rede: 2–12 meses ou mais;

- grandes obras de postos de transformação, vias ou águas residuais: potencialmente superiores ao prazo de contratação da construção principal;

- testes, certificação e ativação: 2–8 semanas após a conclusão física, sujeito à disponibilidade do operador e a trabalhos de correção;

- e receção ou encerramento municipal definitivo: dependente de vistorias, anomalias e do regime de garantias aplicável.

Estes prazos não constituem garantias legais.

O atual percurso público de ligação da E-REDES inclui prazos regulados ou publicados para determinadas etapas e tipos de ligação, mas também identifica circunstâncias em que o processo é suspenso devido a dependências do cliente ou de terceiros. Utilize a resposta formal por escrito do operador para o cronograma do projeto.


36Categorias de custos

O plano de custos deve incluir:

- pesquisa cadastral de infraestruturas;

- levantamentos topográficos e subterrâneos;

- poços e valas de prospeção;

- estudos de procura e capacidade;

- estudos de drenagem e inundabilidade;

- estudos de tráfego;

- análise de títulos jurídicos;

- servidões e aquisição de terrenos;

- projetos de especialidades;

- taxas de análise e de ligação do operador;

- novas redes gerais e ramais de ligação;

- reforços de rede;

- desvios de redes;

- postos de transformação, reservatórios, bombagens e sistemas de tratamento;

- obras em vias, cruzamentos, passeios e travessias;

- iluminação pública e arranjos exteriores;

- gestão de tráfego;

- ocupação do domínio público;

- redes provisórias de obra;

- procedimentos de recursos hídricos e outros procedimentos setoriais;

- empreiteiros habilitados;

- ensaios e comissionamento;

- certificação;

- contagem e ativação;

- cauções e depósitos de garantia;

- telas finais (as-built);

- correção de anomalias e manutenção;

- custos de financiamento;

- inflação;

- e contingência para riscos.

Classifique cada custo como:

- estimado;

- indicado pelo operador;

- orçamentado;

- contratado;

- incorrido;

- pago;

- provisório;

- reembolsável;

- ou contingente.

Evite agrupar todas as infraestruturas numa única verba do plano de custos que não possa ser reconciliada com os âmbitos dos operadores.


37O marco de decisão para infraestruturas e acessos

Avance para compromissos incondicionais de construção apenas quando as seguintes questões puderem ser respondidas ao nível apropriado à fase do projeto.

Capacidade essencial

- Os consumos de água, o caudal de águas residuais e a potência elétrica necessária estão definidos?

- Os respetivos operadores avaliaram o projeto real?

- A estratégia de abastecimento de água para combate a incêndios está coordenada?

- A descarga ou infiltração de águas pluviais é tecnicamente credível?

- Os requisitos de telecomunicações estão integrados?

- O modelo de exploração é compatível com a solução energética proposta?

Traçados e direitos fundiários

- Todos os traçados de ligação estão representados desde a infraestrutura existente até ao local da obra?

- Todos os proprietários dos terrenos e entidades do domínio público estão identificados?

- Os direitos permanentes e temporários são adequados?

- Os operadores conseguem aceder às suas infraestruturas após a conclusão?

- São necessários consentimentos de credores hipotecários, vizinhos ou outros?

Acessos

- O terreno tem acesso legal à via pública adequada?

- A entidade rodoviária competente foi identificada?

- O acesso é aceitável para a intensidade e os tipos de veículos previstos?

- Os percursos pedonais, acessíveis, cicláveis, de combate a incêndios, de recolha de resíduos e de serviço estão resolvidos?

- Toda a área de terreno necessária para obras de entroncamento ou visibilidade está assegurada?

Aprovações urbanísticas e setoriais

- As obras de infraestruturas estão incluídas no procedimento urbanístico correto?

- As decisões de entidades externas estão identificadas?

- Os títulos de recursos hídricos, rodoviários e de domínio público estão identificados?

- As aprovações técnicas dos operadores são autónomas e monitorizadas?

- As condições das aprovações foram transpostas para o projeto e a contratação?

Execução

- A responsabilidade está atribuída a cada infraestrutura e ponto de ligação (interface)?

- São necessários empreiteiros homologados ou autorizados?

- Existem redes provisórias de obra disponíveis?

- Os prazos de execução dos operadores estão incluídos?

- As atividades de ensaio, certificação, ligação e receção estão programadas?

Custos e financiamento

- Todos os custos fora do local da obra e de reforço de redes estão incluídos?

- A validade dos orçamentos e a respetiva revisão de preços foram compreendidas?

- Os custos com terrenos, taxas, garantias, ensaios e manutenção estão incluídos?

- A contingência é proporcional ao nível de dados comprovados?

- O projeto tem capacidade para absorver a solução de ligação mais desfavorável?

Exploração e encerramento

- Quem é o proprietário e quem assegura a manutenção de cada infraestrutura?

- Os sistemas privados estão refletidos nos documentos de venda, arrendamento, condomínio e dos operadores?

- Os requisitos de telas finais (as-built) e de certificação estão especificados?

- O processo até à receção provisória e definitiva é claro?

- O empreendimento concluído pode funcionar legalmente se as fases posteriores se atrasarem?

Se um serviço essencial ou acesso depender de um pressuposto não verificado sem alternativa credível, o projeto não deve considerar o terreno como plenamente exequível.


38Erros comuns

Tratar a planta de redes como confirmação de capacidade

A planta pode indicar apenas a localização aproximada.

Assumir que a aprovação urbanística reserva capacidade

A capacidade das redes de serviços públicos requer normalmente um processo autónomo junto do operador e pode estar sujeita a prazos de validade, pagamentos e condições de construção.

Dimensionar as necessidades demasiado tarde

O reservatório, grupo hidropressor, posto de transformação, central técnica ou melhoramento viário necessário pode já não caber na implantação aprovada.

Ignorar a capacidade a jusante

Uma conduta no limite da propriedade pode ligar-se a um coletor sobrecarregado, a uma estação de tratamento condicionada ou a uma rede elétrica inadequada.

Garantir apenas acesso temporário ao terreno

Uma licença de construção pode não conferir um direito permanente de operar, inspecionar e reparar o ativo.

Assumir que um portão existente é um acesso autorizado para o empreendimento

O uso histórico e o acesso visível não constituem aprovação para uma utilização intensificada.

Recorrer à autoridade rodoviária errada

Uma consulta municipal não pode necessariamente decidir sobre uma matéria reservada à administração rodoviária nacional ou à concessionária.

Omitir peões e veículos de serviço

Um automóvel pode entrar, mas o acesso para recolha de resíduos, combate a incêndios, autocarros ou acessibilidade não consegue funcionar.

Depender da via pública para tomada e largada privadas

A utilização proposta pode exigir aprovação autónoma e pode não ser aceite.

Tratar as águas pluviais como uma simples descarga no limite da propriedade

O projeto pode necessitar de retenção/amortecimento, ensaios de infiltração, direitos de descarga e um título de recursos hídricos.

Não reservar corredores para redes de infraestruturas

Árvores, fundações, caves e caixas de visita competem pelo mesmo espaço.

Omitir as redes provisórias de obra

A eletricidade, água ou acessos definitivos podem não estar disponíveis quando o empreiteiro se mobilizar.

Lançar o concurso antes de conhecer o âmbito da operadora

Os concorrentes assumem pressupostos incoerentes e as obras de ligação convertem-se em trabalhos a mais.

Assumir que a operadora construirá tudo

O cliente pode ter de construir parte da ligação através de um empreiteiro autorizado.

Ignorar a caducidade dos orçamentos

A capacidade, o preço e o cronograma podem ter de ser reavaliados após o termo do prazo de aceitação.

Tratar a conclusão da obra como a ligação à rede

Os ensaios, a certificação, a contagem, os contratos de fornecimento e a ativação pelo operador podem permanecer pendentes.

Não concluir a receção de infraestruturas

Os ativos continuam privados, as garantias permanecem por libertar e a responsabilidade pela manutenção torna-se controversa.

Fornecer telas finais incompletas

As redes enterradas não podem ser localizadas nem aceites de forma fiável após a conclusão da obra.


39Checklist de infraestruturas, acessos e espaço público

Antes de fixar o orçamento do projeto ou de iniciar a construção, confirme que:

- realizou o levantamento topográfico e das redes de infraestruturas;

- identificou todas as redes e serviços existentes;

- identificou cada operador e autoridade rodoviária;

- elaborou mapas de consumos e necessidades coordenados;

- solicitou informações de capacidade específicas para o projeto;

- confirmou a origem da água e a estratégia de pressão e caudal;

- coordenou a rede de água para combate a incêndios;

- confirmou a ligação de águas residuais ou a estratégia de tratamento;

- verificou as cotas de escoamento gravítico e as necessidades de bombagem;

- concluiu os estudos de drenagem e de infiltração;

- mapeou o risco de inundação e de escoamento superficial;

- identificou os títulos de utilização de recursos hídricos;

- definiu a potência elétrica e a tensão;

- obteve condições de ligação ou um orçamento adequado à fase do projeto;

- reservou espaço para posto de transformação, instalações técnicas e contadores;

- definiu o fornecimento provisório de água e eletricidade para a obra;

- coordenou as necessidades de produção fotovoltaica, armazenamento e veículos elétricos;

- confirmou a estratégia para o gás ou combustíveis alternativos;

- identificou os requisitos ITED e ITUR;

- verificou os requisitos dos operadores e de resiliência;

- projetou a recolha de resíduos e as operações de serviço/cargas;

- confirmou o acesso legal à via pública;

- identificou a autoridade rodoviária competente;

- verificou as autorizações de acesso existentes;

- projetou os percursos pedonais e acessíveis;

- coordenou os acessos cicláveis, de bombeiros, recolha de resíduos, entregas e autocarros;

- concluiu a análise de trajetórias (swept-path) e de tráfego;

- definiu os nós de ligação/interseções e as obras de mitigação;

- assegurou os terrenos necessários para visibilidade, alargamento e traçados exteriores;

- identificou as licenças de ocupação de domínio público e de abertura de valas;

- elaborou uma planta coordenada de corredores de infraestruturas;

- resolveu os níveis das redes e os cruzamentos;

- negociou servidões, licenças e direitos de passagem;

- distribuiu as responsabilidades de projeto e de construção;

- identificou os requisitos relativos a empreiteiros credenciados;

- coordenou desvios de redes e cortes de fornecimento;

- integrou todas as obras no procedimento urbanístico;

- formalizou os acordos de infraestruturas e de ligação;

- confirmou que cada fase pode funcionar de forma autónoma;

- preparou os planos de ensaio e de comissionamento;

- especificou os requisitos de certificação e de telas finais;

- confirmou a titularidade, a receção/cedência e a manutenção;

- incluiu todos os custos e contingências;

- alinhou o cronograma com os prazos dos operadores;

- refletiu as obrigações remanescentes nos documentos de financiamento e contratuais;

- e manteve um registo atualizado de evidências e de riscos.


40Ferramentas para este guia

Verificador de Capacidade de Infraestruturas

Registe os consumos, o operador, o estado das evidências, a capacidade, o ponto de ligação, os reforços, o custo e a ação seguinte para cada serviço.

CTA

Verificar capacidade de infraestruturas

Mapeador de Traçados de Ligação

Mapeie cada traçado interno e externo ao local, proprietário, servidão, licença de domínio público e limite do operador.

CTA

Mapear traçados de ligação

Testador de Acessos e Operações de Serviço

Verifique os acessos pedonais, acessíveis, de bombeiros, recolha de resíduos, entregas, autocarros, cicláveis e de obra.

CTA

Testar acessos ao local

Construtor de Interface do Espaço Público

Coordene vias, passeios, passadeiras, estacionamento, cargas e descargas, drenagem, iluminação, infraestruturas, arranjos exteriores e mobiliário urbano.

CTA

Criar o plano de espaço público

Construtor de Cronograma de Infraestruturas

Sequencie consultas, projetos, orçamentos, direitos, construção, ensaios, certificação, ativação e receção de infraestruturas.

CTA

Criar o cronograma de ligações

Monitorizador de Comissionamento e Receção

Acompanhe inspeções, ensaios, telas finais (as-built), certificações, aceitação pelo operador, transferência de ativos, defeitos e encerramento final.

CTA

Acompanhar o encerramento de infraestruturas

Aviso legal da ferramenta: Estas ferramentas fornecem apenas orientação preliminar de organização e planeamento de execução. Não confirmam capacidade, não aprovam ligações ou acessos rodoviários, não constituem servidões, não emitem títulos de utilização de recursos hídricos ou de domínio público, não certificam infraestruturas nem substituem aconselhamento jurídico, urbanístico, de engenharia, ambiental, de segurança contra incêndios, de acessibilidade, de redes de infraestruturas, de transportes, de operadores, de entidades rodoviárias ou municipal em Portugal.


41Próximo guia

PLANEAMENTO & LICENCIAMENTO — GUIA 11

Alterações ao Planeamento, Prorrogações e Transmissão de Projetos

Controle alterações, prorrogações de prazo, mudanças de titularidade e aprovações faseadas sem comprometer a posição urbanística do projeto.

O próximo guia explica as alterações a licenças e comunicações prévias, alterações de projeto em obra, prorrogações e caducidade, procedimentos de substituição, alterações de requerente ou promotor, transmissão de direitos e obrigações do projeto, alterações a operações de loteamento, faseamento, termos de responsabilidade revistos dos projetistas, implicações para financiadores e compradores, e os elementos instrutórios necessários para preservar um histórico urbanístico juridicamente seguro.

CTA PRINCIPAL

Continuar para Alterações ao Planeamento, Prorrogações e Transmissão de Projetos

CTA SECUNDÁRIO

Voltar a Planeamento e Licenciamento


42Apoio profissional através da VVA

Transforme pressupostos de infraestruturas em direitos e ligações exequíveis

A VVA pode apoiar investidores, promotores, family offices, fundos, entidades financiadoras e operadores na identificação e gestão das interfaces jurídicas, urbanísticas e contratuais que afetam infraestruturas, acessos e a execução do espaço público em Portugal.

O apoio pode incluir:

- due diligence de infraestruturas e acessos;

- análise de evidências de capacidade e viabilidade de ligação;

- coordenação com engenheiros, operadores e autoridades;

- análise de títulos de acesso e servidões;

- acordos relativos a terrenos externos e direitos de passagem;

- procedimentos com entidades rodoviárias e de domínio público;

- interfaces ambientais e de recursos hídricos;

- contratos de urbanização e acordos de infraestruturas;

- contratos de ligação e reforço de redes;

- alocação do âmbito de infraestruturas nas peças concursais e contratuais de empreitada;

- faseamento do empreendimento;

- condições de aquisição e alocação de risco;

- due diligence para entidades financiadoras;

- documentação de comissionamento e receção de infraestruturas;

- acordos de condomínio e com operadores para infraestruturas privadas;

- e gestão de litígios ou atrasos.

CTA PRINCIPAL

Solicitar uma análise de infraestruturas e acessos

CTA SECUNDÁRIO

Falar com a VVA


43Perguntas frequentes

Perguntas que os promotores costumam fazer nesta etapa.

Se existir uma conduta de água ou um coletor de esgotos no exterior da propriedade, o projeto pode ligar-se?

Não necessariamente. O operador deve confirmar o ponto de ligação autorizado, a capacidade, as condições técnicas, o custo e o procedimento. O traçado e quaisquer direitos de terceiros devem também ser assegurados.

A aprovação urbanística garante capacidade de eletricidade?

Não. A ligação de eletricidade está sujeita ao processo da rede e do operador. A capacidade, o reforço, o custo, a validade e as condições de energização devem ser confirmados separadamente.

Um PIP pode confirmar as infraestruturas?

Um pedido de informação prévia pode abordar as infraestruturas locais e as ligações às infraestruturas gerais no âmbito do seu enquadramento legal e da informação submetida. Não substitui todos os estudos do operador, acordos de ligação, direitos sobre o solo ou autorizações setoriais.

O projeto pode arrancar com redes de serviços públicos temporárias?

Potencialmente. Os sistemas temporários devem ser legais, seguros, devidamente dimensionados, mantidos e programados para remoção ou conversão. Não devem ocultar a ausência de uma solução definitiva exequível.

O promotor pode construir a ligação às redes de serviços públicos?

Potencialmente, desde que o operador o permita e que as suas regras sejam cumpridas. As obras podem necessitar de projeto aprovado, empreiteiros autorizados, fiscalização, ensaios e receção ou transferência formal.

O município aprova o acesso rodoviário?

Depende da via. As vias municipais podem ser da competência municipal. As estradas nacionais ou concessionadas podem exigir a intervenção de outra administração rodoviária ou concessionária.

Um acesso antigo é automaticamente legal?

Não. O seu título, uso autorizado e adequação ao empreendimento proposto devem ser verificados.

O acesso pode ser garantido por um acordo privado?

Potencialmente. O direito deve ser adequado para a construção e para o uso definitivo, vinculativo para as partes necessárias e aceitável para a autoridade rodoviária, operador de serviços públicos e entidade financiadora, quando relevante.

As águas pluviais podem ser descarregadas numa vala ou linha de água próxima?

Não sem confirmar a titularidade, a capacidade, o impacto ambiental, os efeitos a jusante e a autorização de recursos hídricos ou outra autorização necessária.

Um furo elimina a necessidade de água da rede pública?

Não automaticamente. A sua titularidade, caudal, qualidade, uso permitido, resiliência e requisitos do operador ou municipais devem ser avaliados. Alguns projetos podem, ainda assim, exigir uma ligação pública.

O ITED e o ITUR são a mesma coisa?

Não. O ITED diz respeito a infraestruturas no interior de edifícios. O ITUR diz respeito a infraestruturas em loteamentos, urbanizações e conjuntos de edifícios. A combinação aplicável depende do projeto.

O operador da rede assume todos os ativos?

Não. Algumas ligações ou redes internas permanecem privadas. Os limites dos ativos, a propriedade, o acesso e a manutenção devem ser documentados.

Um empreendimento pode abrir antes de todas as vias e redes de serviços públicos estarem concluídas?

Apenas se a fase relevante puder funcionar de forma legal e segura, os requisitos de planeamento e de utilização aplicáveis estiverem cumpridos, os serviços essenciais estiverem operacionais e as autoridades e operadores competentes aceitarem essa solução.

Quem paga pelo reforço fora do local?

Depende da legislação, da regulamentação, das condições do operador, das decisões municipais e da repartição contratual. Não assuma que o município ou o operador irão absorver o custo.

O que acontece se um orçamento de ligação expirar?

O operador pode exigir um novo pedido ou uma reavaliação. O preço, a capacidade, o âmbito técnico e o cronograma podem sofrer alterações.

Os encargos de ligação às redes de serviços essenciais estão incluídos nas taxas municipais de infraestruturas?

Não necessariamente. As taxas municipais e os encargos dos operadores decorrem de enquadramentos diferentes e devem ser orçamentados separadamente, a menos que os documentos aplicáveis estabeleçam expressamente o contrário.

O silêncio municipal aprova uma intervenção nas redes ou na via pública?

Não confie no silêncio como um consentimento informal. Qualquer mecanismo tácito, a sua formação, prova, âmbito e articulação com a legislação setorial têm de ser juridicamente confirmados antes do início dos trabalhos.

O que muda a 1 de outubro de 2026?

O Decreto-Lei 108/2026 está previsto para alterar o RJUE nessa data, na sequência do adiamento efetuado pelo Decreto-Lei 155-B/2026. Cada projeto deve ser reavaliado quanto a alterações que afetem o seu procedimento, título, ocupação do domínio público, ligação a redes de serviços essenciais, início, faseamento e receção de obras de urbanização.

44Fontes oficiais e leitura complementar

Apoio jurídico através da VVA

Depois de identificar um terreno ou projeto, o foco passa da informação geral para a operação concreta: titularidade, situação urbanística, licenciamento, ónus, contratos e estrutura de detenção.

Os serviços jurídicos são prestados pela Valente Veiga & Associados.

Última revisão: 21 de agosto de 2026

Próxima revisão jurídica obrigatória: 1 de outubro de 2026, na sequência da entrada em vigor prevista do Decreto-Lei 108/2026 e de quaisquer alterações às regras, formulários e especificações de operadores relativas a redes de serviços públicos, estradas, recursos hídricos e domínio público.

Esta página fornece informação geral sobre redes de infraestruturas, acessos ao local e obras no espaço público para empreendimentos em Portugal. Não constitui aconselhamento jurídico, urbanístico, de engenharia, ambiental, de tráfego, de redes de serviços públicos, de contratação, financeiro ou de seguros. Os requisitos dependem do imóvel, dos instrumentos de gestão territorial, dos operadores de rede, da administração rodoviária, das autorizações de recursos hídricos, dos regulamentos municipais, do projeto e da legislação transitória. Obtenha aconselhamento profissional específico para o projeto antes de adquirir terrenos, fixar um orçamento, submeter um procedimento urbanístico, solicitar ramais e ligações, ocupar o domínio público ou iniciar obras.